Caso Gabriel: “Eu não matei o Gabriel”, diz policial militar; réus negam participação na morte de jovem e encerram o quarto dia do júri

Autor: Colaborou: Vitória Parise

Caso Gabriel: “Eu não matei o Gabriel”, diz policial militar; réus negam participação na morte de jovem e encerram o quarto dia do júri

Foto: Vitória Parise e Divulgação

Os réus do Caso Gabriel: à esquerda, Arleu Júnior Cardoso Jacobsen; ao centro, Cléber Renato Ramos de Lima; e à direita, Raul Veras Pedroso.

O quarto dia do júri popular do caso Gabriel Marques Cavalheiro terminou, na noite desta quinta-feira (2), com os depoimentos dos três policiais militares acusados pela morte do jovem, em agosto de 2022. O sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen, de 46 anos, e os soldados Raul Veras Pedroso, de 32 anos, e Cléber Renato Ramos de Lima, de 44 anos, negaram que Gabriel tenha sido agredido durante a abordagem e afirmaram que o deixaram vivo na localidade de Lava Pé, em São Gabriel. Eles respondem por homicídio qualificado por motivo fútil e por recurso que dificultou a defesa da vítima.

Os réus responderam apenas aos questionamentos juíza Liz Grachten, do júri e defesa, e optaram por não responder às perguntas do Ministério Público. As oitivas foram breves.

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​Jacobsen nega agressões e relata atendimento da ocorrência

Primeiro a ser ouvido, o sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen fez um relato sobre a ocorrência que resultou na abordagem de Gabriel. Durante o depoimento, negou que o jovem tenha sido agredido em qualquer momento da ação.

Ao final da oitiva, Jacobsen afirmou perante o júri, que seu filho também se chama Gabriel.


Lima afirma que Gabriel "jamais foi agredido"

O soldado Cléber Renato Ramos de Lima prestou depoimento semelhante ao de Jacobsen. Durante a oitiva, que chegou a ser interrompida por alguns minutos devido a uma falha na conexão de internet do Tribunal de Justiça, afirmou que foi Raul Veras Pedroso quem retirou as algemas de Gabriel na localidade de Lava Pé.

Questionado sobre uma possível agressão ao jovem, respondeu:

Jamais, em nenhum momento foi agredido.


Pedroso afirma que não matou Gabriel

Último a depor, o soldado Raul Veras Pedroso afirmou que o caso teve consequências em sua vida pessoal e disse que perdeu a esposa em razão da repercussão da investigação.

Pedroso negou qualquer agressão contra Gabriel e afirmou que o único contato físico com o jovem ocorreu para colocar e, posteriormente, retirar as algemas.

Nunca toquei um dedo no Gabriel — diz.

O policial também negou participação na morte do jovem.

Eu não matei o Gabriel. Em nenhum momento daquela noite ele foi agredido por um de nós. O que aconteceu com ele ocorreu depois que deixamos ele no Lava Pé. Ele entrou (na viatura) bem e saiu bem.

Segundo Pedroso, Gabriel apresentava sinais de embriaguez, estava alterado e, inicialmente, não queria deixar o local onde ocorreu a abordagem. Conforme o réu, ele aceitou sair após compreender que a moradora havia acionado a Brigada Militar.

Ainda de acordo com o soldado, o estado em que Gabriel se encontrava poderia representar risco, e o jovem já estava no compartimento de transporte da viatura quando a mulher que havia acionado a polícia informou que não iria até a delegacia, o que justificaria ele ter sido deixado na zona rural de Lava Pé.


​Relembre o caso

Gabriel havia se mudado de Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, para São Gabriel com o objetivo de prestar o serviço militar obrigatório no Exército. Na noite do dia 12 de agosto de 2022, enquanto estava hospedado na residência de um tio no Bairro Divina Providência, o jovem saiu do imóvel para tomar uma cerveja.​

Uma moradora das proximidades acionou a Brigada Militar via telefone relatando que um homem desconhecido tentava forçar o portão de acesso à sua propriedade. Conforme o registro da denúncia e imagens gravadas por testemunhas na localidade, os três policiais atenderam a ocorrência, imobilizaram Gabriel e o colocaram no compartimento de transporte da viatura. Relatos coletados durante o inquérito apontaram o uso de golpes de cassetete. Essa foi a última ocasião em que o jovem foi visto com vida.

O corpo de Gabriel foi localizado uma semana depois, em 19 de agosto de 2022, submerso em um açude na região conhecida como Lava Pé, na zona rural do município.

No banco dos réus, estão o sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen, de 46 anos, e os soldados Raul Veras Pedroso, de 32 anos, e Cléber Renato Ramos de Lima, de 44 anos. Eles respondem por homicídio qualificado por motivo fútil e por recurso que dificultou a defesa da vítima. Os três estão presos preventivamente desde agosto de 2022, no Presídio Policial Militar de Porto Alegre.

O Ministério Público afirma que vai ao júri com pedido de condenação e responsabilização dos acusados. A assistência de acusação, que representa a família de Gabriel, sustenta que o julgamento é um momento decisivo para o reconhecimento da responsabilidade criminal.

Já as defesas dos réus afirmam a inocência dos policiais e defendem que o julgamento seja baseado exclusivamente nas provas produzidas no processo.


Acompanhe o julgamento em tempo real

O Diário acompanha, em tempo real, o júri dos três policiais militares acusados pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro. O julgamento teve início na segunda-feira (29) e deve seguir até sexta-feira (3)Clique aqui para conferir as atualizações ao longo da cobertura.


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