Caso Gabriel: defesa aponta "caseiro que andava a cavalo" como autor da morte; promotor compara tese ao Negrinho do Pastoreio

Autor: Marina Brignol e Vitória Parise

Caso Gabriel: defesa aponta

Fotos: Vitória Parise

Advogado Jean Severo (à esq.) e promotor Eugênio Paes Amorim

O advogado Jean Severo, que representa os soldados Raul Veras Pedroso e Cléber Renato Ramos de Lima, afirmou na terça-feira (30), em entrevista após o segundo dia do Tribunal do Júri em São Gabriel, que apresentará uma tese segundo a qual outra pessoa seria responsável pela morte do jovem.

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Ainda antes do início do julgamento, na segunda-feira (29), a defesa dos réus já havia adiantado que pretendia demonstrar aos jurados que as provas produzidas ao longo do processo apontariam para outro autor do crime. Na ocasião, ele evitou revelar detalhes e disse que a tese seria apresentada durante os debates.

Nesta terça, ao fim do segundo dia de julgamento, o defensor antecipou novos elementos sobre a estratégia.

– Na realidade, os policiais não foram os responsáveis por essa morte. Nós sabemos quem foi o responsável. Nos debates vamos falar. Amanhã (quarta-feira) vai ser um dia muito importante. Ontem já conseguimos comprovar que esse foi um inquérito extremamente mal investigado – afirmou.

Segundo Jean Severo, a investigação teria adotado uma linha única desde o início, concentrando-se apenas nos três policiais militares.

– A polícia utilizou uma investigação túnel, pegou os policiais e elegeu para Cristo. Tenho certeza de que, nos debates, esses policiais vão ser absolvidos – declarou.

Questionado sobre quem seria a pessoa apontada pela defesa como autora do crime, o advogado afirmou que se trata de um caseiro que estaria na região onde o corpo foi localizado.

Ao menos o nome dele nós vamos saber, porque já temos informações de que tinha um caseiro no local, que não foi investigado. O caseiro que estava de cavalo e não foi investigado. Amanhã eu conto mais – disse, sem apresentar provas ou detalhar como essa hipótese será sustentada perante o Conselho de Sentença.


Ministério Público rebate

Após a manifestação da defesa, o promotor de Justiça Eugênio Paes Amorim foi questionado sobre a possibilidade de existir um quarto envolvido no crime.

Em resposta, ironizou a tese apresentada pelos advogados.

Estou curioso para descobrir quem é o verdadeiro assassino, mas tenho as minhas suspeitas. Pelo que foi apurado na instrução até agora, seria um negro que anda a cavalo pelo campo à noite. Esta é uma figura lendária no Rio Grande do Sul – afirmou.

Ao ser perguntado se fazia referência ao Negrinho do Pastoreio, respondeu:

Ele próprio. É nisso que acreditamos: uma lenda.

O julgamento prossegue em São Gabriel, com previsão de durar até esta quinta-feira (2). Os três policiais militares respondem por homicídio qualificado pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro, ocorrida em agosto de 2022.


Relembre o caso

Gabriel havia se mudado de Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, para São Gabriel com o objetivo de prestar o serviço militar obrigatório no Exército. Na noite do dia 12 de agosto de 2022, enquanto estava hospedado na residência de um tio no Bairro Divina Providência, o jovem saiu do imóvel para tomar uma cerveja.

Uma moradora das proximidades acionou a Brigada Militar via telefone relatando que um homem desconhecido tentava forçar o portão de acesso à sua propriedade. Conforme o registro da denúncia e imagens gravadas por testemunhas na localidade, os três policiais atenderam a ocorrência, imobilizaram Gabriel e o colocaram no compartimento de transporte da viatura. Relatos coletados durante o inquérito apontaram o uso de golpes de cassetete. Essa foi a última ocasião em que o jovem foi visto com vida.

O corpo de Gabriel foi localizado uma semana depois, em 19 de agosto de 2022, submerso em um açude na região conhecida como Lava Pé, na zona rural do município.


Confira atualizações

O Grupo Diário realiza, desde a segunda-feira (29), uma cobertura especial do julgamento dos três policiais militares acusados pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos. A sessão do Tribunal do Júri ocorre no Foro da Comarca de São Gabriel e tem previsão de durar até quatro dias.

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Diretamente de São Gabriel, a repórter Vitória Parise acompanha todos os desdobramentos do julgamento, com entradas ao vivo na Rádio CDN (93.5 FM), boletins e atualizações sobre o andamento da sessão, desde a formação do Conselho de Sentença até os depoimentos, interrogatórios, debates entre acusação e defesa e, posteriormente, a leitura da sentença. Clique aqui para conferir as atualizações diárias ao longo da cobertura.


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