Médico de Santa Maria e empresário de São Gabriel são alvos de operação da Polícia Civil em investigação sobre fornecimento de medicamentos falsos contra o câncer

Médico de Santa Maria e empresário de São Gabriel são alvos de operação da Polícia Civil em investigação sobre fornecimento de medicamentos falsos contra o câncer

Foto: Mateus Rossato (Diário)

Ações em Santa Maria contam com apoio de policiais da 3ª Delegacia de Polícia

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta segunda-feira (29), a Operação Placebo, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudar o fornecimento de medicamentos de alto custo destinados a pacientes em tratamento contra o câncer na Fronteira Oeste do Estado.

Ao todo, foram cumpridos 57 mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva. Entre os alvos estão um empresário de São Gabriel, preso durante a operação, e um médico oncologista de Santa Maria, que foi alvo de mandado de busca e apreensão.


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A investigação, conduzida pelo delegado Daniel Severo, da Delegacia de Polícia de São Gabriel, aponta indícios de fraude em orçamentos apresentados à Justiça, entrega parcial de medicamentos, uso de empresas de fachada e fornecimento de remédios com suspeita de falsificação. As medidas judiciais atingem 15 pessoas e 14 empresas.

De acordo com a Polícia Civil, o empresário preso seria o principal articulador do esquema. As investigações indicam que ele controlava, de forma direta ou indireta, empresas que participavam das cotações apresentadas em ações judiciais para aquisição de medicamentos, direcionando os processos para favorecer o grupo.

Além dele, a investigação apura a participação de um médico oncologista de Santa Maria e de três advogados. Conforme a polícia, o médico seria responsável por captar pacientes e encaminhá-los aos advogados envolvidos no esquema, que ingressavam com ações judiciais para obtenção dos medicamentos.

Ainda segundo a investigação, o núcleo jurídico direcionava as compras para empresas ligadas ao grupo, fraudando a concorrência e garantindo que apenas essas empresas fossem contratadas para fornecer os medicamentos. O médico e os três advogados tiveram o exercício profissional suspenso por decisão judicial e também foram alvo de mandados de busca e apreensão.

As investigações tiveram início após uma farmacêutica da Santa Casa de São Gabriel identificar indícios de falsificação em frascos do medicamento oncológico Enhertu, destinado a uma paciente com câncer de mama avançado. Segundo a Polícia Civil, a embalagem apresentava, inclusive, erros de grafia.

Até o momento, a polícia identificou 39 vítimas do esquema. Destas, sete morreram durante o tratamento oncológico.

As ações em Santa Maria contam com o apoio de policiais da 3ª Delegacia de Polícia.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam dezenas de caixas de medicamentos, suplementos alimentares e cartelas de remédios sem identificação. O empresário afirmou que os produtos haviam sido descartados por uma fabricante em razão de controle de qualidade, mas não conseguiu explicar por que o descarte não foi realizado pela própria empresa.

Segundo o delegado Daniel Severo os crimes tiveram início na metade de 2024. As vítimas são todas de São Gabriel.


Anvisa proibiu lote do medicamento investigado

Em fevereiro deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão e proibiu a comercialização e a distribuição do lote 416466 do medicamento oncológico Enhertu (trastuzumabe deruxtecana).

A medida foi adotada após a fabricante Daiichi Sankyo Brasil identificar frascos com características incompatíveis com o produto original, como dimensões fora do padrão, descascamento nas tampas e diferenças na coloração e no material utilizado no fechamento das embalagens.

Segundo a empresa, o medicamento original possui tampa amarela com acabamento plástico. Já os frascos suspeitos apresentavam tampa metálica pintada de amarelo, um dos principais indícios de falsificação.

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