Caso Gabriel: "Ele insistiu muito que estava perdido. Era só o que dizia”, diz moradora que chamou a Brigada Militar

Caso Gabriel:

Foto: Vitória Parise (Diário)

Segundo dia do julgamento contou com depoimentos do perito criminal Railander Barcellos (foto), da tenente-coronel Karla Incerti e da mulher que chamou a guarnição no dia da abordagem.

Um dos depoimentos mais aguardados do segundo dia do julgamento do Caso Gabriel foi da mulher responsável por acionar a Brigada Militar na noite em que o jovem desapareceu, em 12 de agosto de 2022, em São Gabriel. Segundo o depoimento da testemunha nesta terça-feira (30), ela estaria esperando uma amiga para sair quando pediu para a filha e a sobrinha irem até a parte externa da casa para cuidar dos cachorros. A juíza Liz Grachten não autorizou filmar ou fotografar a testemunha.

+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp

De acordo com o relato, as duas teriam visto um homem se aproximando da residência e voltaram para dentro do imóvel. Logo depois, conforme a testemunha, Gabriel teria chegado até o portão da casa e tentado abri-lo.

A mulher afirmou que o jovem teria dito inicialmente que procurava uma prima e depois mencionado que estaria procurando o “tio Pacheco” (o familiar em que ele estava hospedado em São Gabriel). Segundo o depoimento, como Gabriel permaneceu no portão, ela decidiu chamar a Brigada Militar.

A testemunha afirmou ainda que Gabriel dizia estar perdido e que essa informação teria sido repassada aos policiais assim que a viatura chegou ao local. Conforme o relato, Gabriel também teria dito aos policiais que não era da cidade e tentou explicar a situação.

Em determinado momento, segundo a testemunha, um dos policiais teria questionado: “Se tu não és daqui, o que tu estás fazendo aqui?”.

Na sequência, a mulher relatou que o jovem teria feito um gesto e recebido um tapa, caindo para trás com o impacto. Mesmo sentado no chão, segundo ela, continuava repetindo que estava perdido:

– Ele insistiu muito que estava perdido. Era só o que ele dizia.

Conforme o depoimento, Gabriel teria sido colocado de pé novamente durante a abordagem. A mulher afirmou, ainda, que teria sido informada de que o jovem seria levado para a delegacia para que algum familiar fosse localizado.

Inquérito militar

Também nesta terça, a tenente-coronel Karla de Moura Incerti, indicada pela acusação, depôs. Ela presidiu o Inquérito Policial Militar (IPM) que apurou a atuação dos policiais envolvidos na abordagem a Gabriel. A oficial afirmou que o IPM concluiu que os policiais assumiram o risco da morte de Gabriel ao deixá-lo na região de Lava Pé, onde o corpo do jovem foi encontrado. Segundo ela, essa foi “a viabilidade plausível diante de todos os autos”.

Karla também afirmou que o inquérito identificou divergências nos depoimentos dos três policiais militares acusados e que, conforme os relatos prestados por eles, os agentes desembarcaram da viatura no momento em que Gabriel teria sido liberado. Ainda segundo a oficial, “dos três, dois afirmaram que o Gabriel saiu andando da viatura”.

Ainda nesta terça, teriam início os depoimentos das testemunhas de defesa dos réus. No total, são 15 pessoas a serem ouvidas.


​Relembre o caso

Gabriel havia se mudado de Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, para São Gabriel com o objetivo de prestar o serviço militar obrigatório no Exército. Na noite do dia 12 de agosto de 2022, enquanto estava hospedado na residência de um tio no Bairro Divina Providência, o jovem saiu do imóvel para tomar uma cerveja.​

Uma moradora das proximidades acionou a Brigada Militar via telefone relatando que um homem desconhecido tentava forçar o portão de acesso à sua propriedade. Conforme o registro da denúncia e imagens gravadas por testemunhas na localidade, os três policiais atenderam a ocorrência, imobilizaram Gabriel e o colocaram no compartimento de transporte da viatura. Relatos coletados durante o inquérito apontaram o uso de golpes de cassetete. Essa foi a última ocasião em que o jovem foi visto com vida.

O corpo de Gabriel foi localizado uma semana depois, em 19 de agosto de 2022, submerso em um açude na região conhecida como Lava Pé, na zona rural do município.

No banco dos réus, estão o sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen, de 46 anos, e os soldados Raul Veras Pedroso, de 32 anos, e Cléber Renato Ramos de Lima, de 44 anos. Eles respondem por homicídio qualificado por motivo fútil e por recurso que dificultou a defesa da vítima. Os três estão presos preventivamente desde agosto de 2022, no Presídio Policial Militar de Porto Alegre.

O Ministério Público afirma que vai ao júri com pedido de condenação e responsabilização dos acusados. A assistência de acusação, que representa a família de Gabriel, sustenta que o julgamento é um momento decisivo para o reconhecimento da responsabilidade criminal.

as defesas dos réus afirmam a inocência dos policiais e defendem que o julgamento seja baseado exclusivamente nas provas produzidas no processo.

Acompanhe o julgamento em tempo real

O Diário acompanha, em tempo real, o júri dos três policiais militares acusados pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro. O julgamento teve início na segunda-feira (29) e tem previsão de durar quatro dias. Clique aqui para conferir as atualizações ao longo da cobertura.

imagem Vitória Parise

POR

Vitória Parise

vitoria.parise@diariosm.com.br

Caso Gabriel: Anterior

Caso Gabriel: "Ele insistiu muito que estava perdido. Era só o que dizia”, diz moradora que chamou a Brigada Militar

VÍDEO: Delegado diz que pacientes estão interrompendo tratamento contra o câncer após Operação Placebo, em São Gabriel Próximo

VÍDEO: Delegado diz que pacientes estão interrompendo tratamento contra o câncer após Operação Placebo, em São Gabriel

Plantão
Logo tv diário
Logo rádio diário

AO VIVO

ASSISTA AGORA
MAIS BEI